Os pés se roçavam no ritmo da música que vinha da sala e chegava ao quarto num volume quase imperceptível. De resto, silêncio. As cortinas balançavam com o vento que batia na janela metade aberta, fazendo com que os raios de sol aparecessem e iluminassem aquele rosto, que logo adquiria uma expressão de desgosto, lembrando o tanto que ela não gostava de sol.
Uma de suas mãos segurava meu braço, arranhando devagar com as unhas. De vez em quando, ria sem motivo algum, com os olhar na direção do teto. Era nessas horas em que eu tomava coragem de falar.
- Que foi?
Como sempre, ela virava o rosto, olhava para mim, ainda sorrindo, e me beijava, emendando um “nada, não”. Eu sabia que ela faria isso. E era exatamente o que eu queria.
E eu? Bem, meu caro, sabe quando tê-la já é o suficiente? Eu só queria estar ali, sem maiores preocupações. Pela primeira vez, ter o simples foi tão complicado, que me bastou.
A vontade de dizer “Eu te amo” foi quase incontrolável. Com mais dez segundos, eu arrisco dizer que teria pronunciado as três palavras que, juntas, sempre foram tão difíceis. Digo isso, porque quando o “Eu...” já tinha ido, fui interrompido. Ela se levantou, olhou para mim, ainda deitado, e disse:
- Vamos jogar videogame?
Eu sorri e só concordei. Sim, eu a amava e ela sabia disso. E, pela primeira vez, eu concordei com ela, quando me dizia que nem tudo precisa ser dito.
terça-feira, 26 de julho de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Sabe aquela sensação que você tem quando já está totalmente inconsciente de qualquer ato ou fala?
Foi naquele momento que os olhos dele fixaram em mim.
Fazia mais de três meses que não nos víamos. Confesso que já era bem mais fácil passar os dias, não lembrar tanto... Acho que tinham semanas que nenhuma música, nenhum livro ou filme me traziam à memória aqueles tempos. E era bom. Já estava quase confortável não sentir mais aquelas misturas de sentimentos, ora maravilhosos, ora detestáveis.
Pois é, tudo isso sumiu do segundo exato que o avistei. Droga, como podia ser tão difícil? Acho que o álcool fez tudo parece mais fantasioso do que realmente foi, mas o fato é que doía.
“Oi”
“oi”
“Tudo certinho?”
“Uhum. Ah... oi”
É, foi basicamente isso. O segundo “oi” foi para a menina que estava com ele. Ela era linda, mas é claro que ninguém me disse isso. Nem eu conseguia dizer isso. E eles pareciam felizes. É claro que isso também ninguém me disse.
A festa continuou para todos, exceto pra mim, que parecia ter levado um soco no estômago.
Numa hora qualquer, que se me dissessem que passavam das sete da manhã, eu acreditaria, fui ao banheiro retocar a maquiagem e fugir de tudo.
Ao sair, como não poderia deixar de ser, encontrei com ele, ou melhor, esbarrei nele.
“Erm... Desculpa. Com licença”
“Tudo bem”
“Hey”
Virei. E não deu tempo de mais nada. As mãos dele estavam em minha cintura e sua boca mais próximo do que eu poderia imaginar. É, um beijo.
Um beijo que trouxe à tona os seis meses de namoro. Momentos bons, momentos ruins. Confesso que apesar dos momentos bons terem sido maioria, me concentrei para lembrar tudo que nos levara até essa situação. Juntei todos eles e criei coragem para sair daquela zona de conforto.
“Tchau, Fernando”
“Não”
Ele falaria mais alguma coisa, mas nossas mãos já se soltavam e eu estava distante o suficiente para não ouvir mais.
Foi naquele momento que os olhos dele fixaram em mim.
Fazia mais de três meses que não nos víamos. Confesso que já era bem mais fácil passar os dias, não lembrar tanto... Acho que tinham semanas que nenhuma música, nenhum livro ou filme me traziam à memória aqueles tempos. E era bom. Já estava quase confortável não sentir mais aquelas misturas de sentimentos, ora maravilhosos, ora detestáveis.
Pois é, tudo isso sumiu do segundo exato que o avistei. Droga, como podia ser tão difícil? Acho que o álcool fez tudo parece mais fantasioso do que realmente foi, mas o fato é que doía.
“Oi”
“oi”
“Tudo certinho?”
“Uhum. Ah... oi”
É, foi basicamente isso. O segundo “oi” foi para a menina que estava com ele. Ela era linda, mas é claro que ninguém me disse isso. Nem eu conseguia dizer isso. E eles pareciam felizes. É claro que isso também ninguém me disse.
A festa continuou para todos, exceto pra mim, que parecia ter levado um soco no estômago.
Numa hora qualquer, que se me dissessem que passavam das sete da manhã, eu acreditaria, fui ao banheiro retocar a maquiagem e fugir de tudo.
Ao sair, como não poderia deixar de ser, encontrei com ele, ou melhor, esbarrei nele.
“Erm... Desculpa. Com licença”
“Tudo bem”
“Hey”
Virei. E não deu tempo de mais nada. As mãos dele estavam em minha cintura e sua boca mais próximo do que eu poderia imaginar. É, um beijo.
Um beijo que trouxe à tona os seis meses de namoro. Momentos bons, momentos ruins. Confesso que apesar dos momentos bons terem sido maioria, me concentrei para lembrar tudo que nos levara até essa situação. Juntei todos eles e criei coragem para sair daquela zona de conforto.
“Tchau, Fernando”
“Não”
Ele falaria mais alguma coisa, mas nossas mãos já se soltavam e eu estava distante o suficiente para não ouvir mais.
domingo, 19 de junho de 2011
Clementine: This is it, Joel. It's going to be gone soon.
Joel: I know.
Clementine: What do we do?
Joel: Enjoy it.
Como doía olhar aquelas fotografias. Era como se as imagens ganhassem vida e passassem bem diante dos olhos, mostrando toda a alegria que eu quase nem lembrava um dia ter sentido. Os momentos ruins de repente sumiam e tudo que eu pensava era no sorriso tão presente durante aqueles poucos meses.
Tinha passado pouco tempo na companhia dele e confesso que brigávamos mais do que o normal, o que faz tudo parece um pouco de exagero, mas sabe aquela sensação de chegar em casa? De descansar a cabeça nos ombros dele e saber que ele vai te abraçar e vocês ficarão ali por longos minutos, até que você se sinta melhor? De ficar horas falando sobre nada ou simplesmente no silêncio, com a certeza de que aquele lugar e aquela companhia são as melhores possíveis? De, num mundo tão gigantesco, você ter encontrado não o amor da tua vida, mas alguém tão diferente e tão parecido ao mesmo tempo? Durante esses pouco mais de cem dias, foi assim que eu me senti. E, acredite, foi a melhor sensação do mundo.
Às vezes penso se não deveria existir aquela máquina de apagar memórias, como no filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Imagina um dia acordar sem todo esse peso de ter sido tão feliz? É injusto para todos os outros que aparecerem em minha vida. Ter de competir com uma realidade passada que deixou de ser realidade há muito tempo, que agora é só um ideal do que nem deve ter existido.
Mas não, eu não apagaria nada de ti, nada de nós. São nessas horas que eu percebo como sou apegada a essas lembranças e como é bom – apesar de dolorido... e muito dolorido – reviver tudo isso num domingo a tarde, com todo aquele saudosismo que lacrimeja meus olhos, enquanto eu fico aqui, na tentativa de te fazer perceber como és importante e implorando com meu silêncio para que voltes.
Joel: I know.
Clementine: What do we do?
Joel: Enjoy it.
Como doía olhar aquelas fotografias. Era como se as imagens ganhassem vida e passassem bem diante dos olhos, mostrando toda a alegria que eu quase nem lembrava um dia ter sentido. Os momentos ruins de repente sumiam e tudo que eu pensava era no sorriso tão presente durante aqueles poucos meses.
Tinha passado pouco tempo na companhia dele e confesso que brigávamos mais do que o normal, o que faz tudo parece um pouco de exagero, mas sabe aquela sensação de chegar em casa? De descansar a cabeça nos ombros dele e saber que ele vai te abraçar e vocês ficarão ali por longos minutos, até que você se sinta melhor? De ficar horas falando sobre nada ou simplesmente no silêncio, com a certeza de que aquele lugar e aquela companhia são as melhores possíveis? De, num mundo tão gigantesco, você ter encontrado não o amor da tua vida, mas alguém tão diferente e tão parecido ao mesmo tempo? Durante esses pouco mais de cem dias, foi assim que eu me senti. E, acredite, foi a melhor sensação do mundo.
Às vezes penso se não deveria existir aquela máquina de apagar memórias, como no filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Imagina um dia acordar sem todo esse peso de ter sido tão feliz? É injusto para todos os outros que aparecerem em minha vida. Ter de competir com uma realidade passada que deixou de ser realidade há muito tempo, que agora é só um ideal do que nem deve ter existido.
Mas não, eu não apagaria nada de ti, nada de nós. São nessas horas que eu percebo como sou apegada a essas lembranças e como é bom – apesar de dolorido... e muito dolorido – reviver tudo isso num domingo a tarde, com todo aquele saudosismo que lacrimeja meus olhos, enquanto eu fico aqui, na tentativa de te fazer perceber como és importante e implorando com meu silêncio para que voltes.
domingo, 6 de março de 2011
10 things I hate about you
I hate the way you talk to me
and the way you cut your hair
I hate the way you drive my car
I hate it when you stare
I hate you big dumb combat boots
and the way you read my mind
I hate you so much it makes me sick
It even makes me rhyme
I hate it - I hate the way you're always right
I hate when you lie
I hate it when you make me laugh,
even worse when you make me cry
I hate when you're not around
and the fact you didn't call
But mostly, I hate the way
I don't hate you, not even close,
not even a little bit,
not even at all.
and the way you cut your hair
I hate the way you drive my car
I hate it when you stare
I hate you big dumb combat boots
and the way you read my mind
I hate you so much it makes me sick
It even makes me rhyme
I hate it - I hate the way you're always right
I hate when you lie
I hate it when you make me laugh,
even worse when you make me cry
I hate when you're not around
and the fact you didn't call
But mostly, I hate the way
I don't hate you, not even close,
not even a little bit,
not even at all.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
We used to be together.
Uma semana. Silêncio. Duas semanas. Silêncio. Um mês. Não me agüento. Dou “oi”. Espero com ansiedade uma resposta, um sinal de vida, um gesto qualquer que me faça acreditar que não foi tudo imaginação. Mero engano. Recebo um “oi”. Indiferente. Sim, percebo no “oi” a indiferença que é quase sólida. Desanimo. A conversa segue mais algumas frases vazias, até que coloco um fim. Ele não sente sequer um alívio. Se houvesse alívio, teria existido tensão. Não existiu.
“Esfriou, entendeu?”, tento explicar para uma amiga. Quem sabe assim eu consiga explicar a mim. Esfriou como? Quando que ele deixou de me atordoar? Quando que eu deixei de causar aqueles olhares e risos constrangidos? Acho que até já esqueci seus horários. Nem tenho mais o impulso de ir aos lugares em que você está. Assim como não me incomoda mais o fato de passar um fim de semana inteiro sem notícias suas e depois saber que você estava com os meus amigos. Agora mais seus que meus.
Também não evito sua presença. Não é como se estivesse fugindo. Não. Podemos tranquilamente estar no mesmo lugar. Podemos até conversar horas sobre um livro, um filme, uma música. Veja só, quase esqueço que você nem gosta tanto assim de música. O problema principal nunca foi o que falamos. Falaríamos da mesma forma, das mesmas coisas. Ninguém nem perceberia. O que sempre nos fez diferente foi aquele silêncio. Aquele silêncio que falava mais do que qualquer conversa. O silêncio que nos aproximava. A conversa sempre distanciou.
O celular vibra. Vejo que é uma mensagem. Engraçado como é difícil perder alguns costumes! Leio a mensagem. Claro que não é você. Você dificilmente mandava mensagens. Algumas em horários estranhos. Bêbado, eu logo supunha. Sabe o que é pior? É que nada de ruim ou trágico aconteceu. A culpa foi inteiramente nossa. Afastamo-nos. Veja eu já falando em culpa. Não houve culpa. Houve falta de interesse. E o irônico disso tudo é que poucas vezes eu tive TANTO interesse.
“Esfriou, entendeu?”, tento explicar para uma amiga. Quem sabe assim eu consiga explicar a mim. Esfriou como? Quando que ele deixou de me atordoar? Quando que eu deixei de causar aqueles olhares e risos constrangidos? Acho que até já esqueci seus horários. Nem tenho mais o impulso de ir aos lugares em que você está. Assim como não me incomoda mais o fato de passar um fim de semana inteiro sem notícias suas e depois saber que você estava com os meus amigos. Agora mais seus que meus.
Também não evito sua presença. Não é como se estivesse fugindo. Não. Podemos tranquilamente estar no mesmo lugar. Podemos até conversar horas sobre um livro, um filme, uma música. Veja só, quase esqueço que você nem gosta tanto assim de música. O problema principal nunca foi o que falamos. Falaríamos da mesma forma, das mesmas coisas. Ninguém nem perceberia. O que sempre nos fez diferente foi aquele silêncio. Aquele silêncio que falava mais do que qualquer conversa. O silêncio que nos aproximava. A conversa sempre distanciou.
O celular vibra. Vejo que é uma mensagem. Engraçado como é difícil perder alguns costumes! Leio a mensagem. Claro que não é você. Você dificilmente mandava mensagens. Algumas em horários estranhos. Bêbado, eu logo supunha. Sabe o que é pior? É que nada de ruim ou trágico aconteceu. A culpa foi inteiramente nossa. Afastamo-nos. Veja eu já falando em culpa. Não houve culpa. Houve falta de interesse. E o irônico disso tudo é que poucas vezes eu tive TANTO interesse.
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