Uma semana. Silêncio. Duas semanas. Silêncio. Um mês. Não me agüento. Dou “oi”. Espero com ansiedade uma resposta, um sinal de vida, um gesto qualquer que me faça acreditar que não foi tudo imaginação. Mero engano. Recebo um “oi”. Indiferente. Sim, percebo no “oi” a indiferença que é quase sólida. Desanimo. A conversa segue mais algumas frases vazias, até que coloco um fim. Ele não sente sequer um alívio. Se houvesse alívio, teria existido tensão. Não existiu.
“Esfriou, entendeu?”, tento explicar para uma amiga. Quem sabe assim eu consiga explicar a mim. Esfriou como? Quando que ele deixou de me atordoar? Quando que eu deixei de causar aqueles olhares e risos constrangidos? Acho que até já esqueci seus horários. Nem tenho mais o impulso de ir aos lugares em que você está. Assim como não me incomoda mais o fato de passar um fim de semana inteiro sem notícias suas e depois saber que você estava com os meus amigos. Agora mais seus que meus.
Também não evito sua presença. Não é como se estivesse fugindo. Não. Podemos tranquilamente estar no mesmo lugar. Podemos até conversar horas sobre um livro, um filme, uma música. Veja só, quase esqueço que você nem gosta tanto assim de música. O problema principal nunca foi o que falamos. Falaríamos da mesma forma, das mesmas coisas. Ninguém nem perceberia. O que sempre nos fez diferente foi aquele silêncio. Aquele silêncio que falava mais do que qualquer conversa. O silêncio que nos aproximava. A conversa sempre distanciou.
O celular vibra. Vejo que é uma mensagem. Engraçado como é difícil perder alguns costumes! Leio a mensagem. Claro que não é você. Você dificilmente mandava mensagens. Algumas em horários estranhos. Bêbado, eu logo supunha. Sabe o que é pior? É que nada de ruim ou trágico aconteceu. A culpa foi inteiramente nossa. Afastamo-nos. Veja eu já falando em culpa. Não houve culpa. Houve falta de interesse. E o irônico disso tudo é que poucas vezes eu tive TANTO interesse.