domingo, 19 de junho de 2011

Clementine: This is it, Joel. It's going to be gone soon.
Joel: I know.
Clementine: What do we do?
Joel: Enjoy it.






Como doía olhar aquelas fotografias. Era como se as imagens ganhassem vida e passassem bem diante dos olhos, mostrando toda a alegria que eu quase nem lembrava um dia ter sentido. Os momentos ruins de repente sumiam e tudo que eu pensava era no sorriso tão presente durante aqueles poucos meses.
Tinha passado pouco tempo na companhia dele e confesso que brigávamos mais do que o normal, o que faz tudo parece um pouco de exagero, mas sabe aquela sensação de chegar em casa? De descansar a cabeça nos ombros dele e saber que ele vai te abraçar e vocês ficarão ali por longos minutos, até que você se sinta melhor? De ficar horas falando sobre nada ou simplesmente no silêncio, com a certeza de que aquele lugar e aquela companhia são as melhores possíveis? De, num mundo tão gigantesco, você ter encontrado não o amor da tua vida, mas alguém tão diferente e tão parecido ao mesmo tempo? Durante esses pouco mais de cem dias, foi assim que eu me senti. E, acredite, foi a melhor sensação do mundo.
Às vezes penso se não deveria existir aquela máquina de apagar memórias, como no filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Imagina um dia acordar sem todo esse peso de ter sido tão feliz? É injusto para todos os outros que aparecerem em minha vida. Ter de competir com uma realidade passada que deixou de ser realidade há muito tempo, que agora é só um ideal do que nem deve ter existido.
Mas não, eu não apagaria nada de ti, nada de nós. São nessas horas que eu percebo como sou apegada a essas lembranças e como é bom – apesar de dolorido... e muito dolorido – reviver tudo isso num domingo a tarde, com todo aquele saudosismo que lacrimeja meus olhos, enquanto eu fico aqui, na tentativa de te fazer perceber como és importante e implorando com meu silêncio para que voltes.

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