terça-feira, 26 de julho de 2011

A tarde quer mais que um susto...

Os pés se roçavam no ritmo da música que vinha da sala e chegava ao quarto num volume quase imperceptível. De resto, silêncio. As cortinas balançavam com o vento que batia na janela metade aberta, fazendo com que os raios de sol aparecessem e iluminassem aquele rosto, que logo adquiria uma expressão de desgosto, lembrando o tanto que ela não gostava de sol.
Uma de suas mãos segurava meu braço, arranhando devagar com as unhas. De vez em quando, ria sem motivo algum, com os olhar na direção do teto. Era nessas horas em que eu tomava coragem de falar.
- Que foi?
Como sempre, ela virava o rosto, olhava para mim, ainda sorrindo, e me beijava, emendando um “nada, não”. Eu sabia que ela faria isso. E era exatamente o que eu queria.
E eu? Bem, meu caro, sabe quando tê-la já é o suficiente? Eu só queria estar ali, sem maiores preocupações. Pela primeira vez, ter o simples foi tão complicado, que me bastou.
A vontade de dizer “Eu te amo” foi quase incontrolável. Com mais dez segundos, eu arrisco dizer que teria pronunciado as três palavras que, juntas, sempre foram tão difíceis. Digo isso, porque quando o “Eu...” já tinha ido, fui interrompido. Ela se levantou, olhou para mim, ainda deitado, e disse:
- Vamos jogar videogame?
Eu sorri e só concordei. Sim, eu a amava e ela sabia disso. E, pela primeira vez, eu concordei com ela, quando me dizia que nem tudo precisa ser dito.

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