quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sabe aquela sensação que você tem quando já está totalmente inconsciente de qualquer ato ou fala?
Foi naquele momento que os olhos dele fixaram em mim.
Fazia mais de três meses que não nos víamos. Confesso que já era bem mais fácil passar os dias, não lembrar tanto... Acho que tinham semanas que nenhuma música, nenhum livro ou filme me traziam à memória aqueles tempos. E era bom. Já estava quase confortável não sentir mais aquelas misturas de sentimentos, ora maravilhosos, ora detestáveis.
Pois é, tudo isso sumiu do segundo exato que o avistei. Droga, como podia ser tão difícil? Acho que o álcool fez tudo parece mais fantasioso do que realmente foi, mas o fato é que doía.
“Oi”
“oi”
“Tudo certinho?”
“Uhum. Ah... oi”
É, foi basicamente isso. O segundo “oi” foi para a menina que estava com ele. Ela era linda, mas é claro que ninguém me disse isso. Nem eu conseguia dizer isso. E eles pareciam felizes. É claro que isso também ninguém me disse.
A festa continuou para todos, exceto pra mim, que parecia ter levado um soco no estômago.
Numa hora qualquer, que se me dissessem que passavam das sete da manhã, eu acreditaria, fui ao banheiro retocar a maquiagem e fugir de tudo.
Ao sair, como não poderia deixar de ser, encontrei com ele, ou melhor, esbarrei nele.
“Erm... Desculpa. Com licença”
“Tudo bem”
“Hey”
Virei. E não deu tempo de mais nada. As mãos dele estavam em minha cintura e sua boca mais próximo do que eu poderia imaginar. É, um beijo.
Um beijo que trouxe à tona os seis meses de namoro. Momentos bons, momentos ruins. Confesso que apesar dos momentos bons terem sido maioria, me concentrei para lembrar tudo que nos levara até essa situação. Juntei todos eles e criei coragem para sair daquela zona de conforto.
“Tchau, Fernando”
“Não”
Ele falaria mais alguma coisa, mas nossas mãos já se soltavam e eu estava distante o suficiente para não ouvir mais.

domingo, 19 de junho de 2011

Clementine: This is it, Joel. It's going to be gone soon.
Joel: I know.
Clementine: What do we do?
Joel: Enjoy it.






Como doía olhar aquelas fotografias. Era como se as imagens ganhassem vida e passassem bem diante dos olhos, mostrando toda a alegria que eu quase nem lembrava um dia ter sentido. Os momentos ruins de repente sumiam e tudo que eu pensava era no sorriso tão presente durante aqueles poucos meses.
Tinha passado pouco tempo na companhia dele e confesso que brigávamos mais do que o normal, o que faz tudo parece um pouco de exagero, mas sabe aquela sensação de chegar em casa? De descansar a cabeça nos ombros dele e saber que ele vai te abraçar e vocês ficarão ali por longos minutos, até que você se sinta melhor? De ficar horas falando sobre nada ou simplesmente no silêncio, com a certeza de que aquele lugar e aquela companhia são as melhores possíveis? De, num mundo tão gigantesco, você ter encontrado não o amor da tua vida, mas alguém tão diferente e tão parecido ao mesmo tempo? Durante esses pouco mais de cem dias, foi assim que eu me senti. E, acredite, foi a melhor sensação do mundo.
Às vezes penso se não deveria existir aquela máquina de apagar memórias, como no filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Imagina um dia acordar sem todo esse peso de ter sido tão feliz? É injusto para todos os outros que aparecerem em minha vida. Ter de competir com uma realidade passada que deixou de ser realidade há muito tempo, que agora é só um ideal do que nem deve ter existido.
Mas não, eu não apagaria nada de ti, nada de nós. São nessas horas que eu percebo como sou apegada a essas lembranças e como é bom – apesar de dolorido... e muito dolorido – reviver tudo isso num domingo a tarde, com todo aquele saudosismo que lacrimeja meus olhos, enquanto eu fico aqui, na tentativa de te fazer perceber como és importante e implorando com meu silêncio para que voltes.