domingo, 18 de julho de 2010

Nem lembrava o tanto que eu gostava...



A partir do momento em que você larga o convívio com seus, até então, amigos, manter contato torna-se uma tarefa bastante difícil, às vezes. Uma discussão pode gerar um distanciamento definitivo e, daqui a um tempo, não há sequer intimidade para retomar a relação. As novidades surgem e as conversas não acompanham, fazendo que você um estranho. Não há mais nada que os una, exceto a dedicação de não esquecer e não ser esquecido.
Pessoas entram em sua vida, tomam espaços, ocupam finais de semana e passam a ser mais presentes do que os antigos companheiros de aula. Os trabalhos em grupo, as saídas, as vésperas de provas, os testes em dupla, a preocupação com qual carreira seguir... Nada disso terá o mesmo peso de outrora. Crescemos. É hora de se abrir a novas experiências e, junto delas, novas amizades.
Ao longo de minha vida, afastei-me de pessoas que todos diriam ser ‘para sempre’. Lembra daquelas férias, onde eu te ligava todos os dias para a gente brincar na frente do prédio? Lembra das tardes em que íamos uma na casa da outra só pra conversar e ouvir música? Lembra que seríamos madrinha uma do filho da outra? Lembra que tu ias todos os dias lá em casa e hoje eu sequer lembro teu nome, amigo? Eu não me esqueci de nenhum de vocês, eu só cresci. E a maldita idéia de que não podemos levar todos para o resto da vida vez com que nos distanciássemos.
Mas eu ainda guardo memórias de cada uma que fui com cada um de vocês. Eu sou um retalho de todos vocês. E espero que esteja, ainda que pouco, num sorriso ou numa lembrança quando olharem para trás.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Versos ao vento vão.



Sofro de um mal. Um mal que quase ninguém sofre: Sofro por não sofrer. Lamento-me pela lágrima não despendida por alguém; pelas tardes não gastas relembrando cenas e sonhando com o príncipe encantado. Não há nada que me faça surpreendida. Músicas dedicadas com o propósito da conquista? Sinto muito. A inércia não física, mas emocional me consome dia a dia, ano a ano.
Também não sou alegre. Nunca encontrarão sorrisos despropositados somente pela alegria de viver. Desistam. Tenho como parte de mim uma melancolia que guarda o passado e a mim mesma a sete chaves. Um apego a tudo que já foi, um desprezo de tudo que é e uma idéia fantasiosa do que está por vir.
‘Sou favorável a mais ilusões, menos realidade’, já disse Carpinejar, e, de acordo com ele, guardo desapego de tudo que é palpável e, em compensação, anseio por palavras, sorrisos, olhares. Dou valor ao inestimável para dispensar os extratos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Arte de [re]inventar.



Que necessidade é essa de começar e recomeçar tudo outra vez? Como se pudesse contar minha história desde as primeiras linhas e, dessa forma, re-desenhá-las mais bonitas em traços mais fortes e definidos.
Absurdo este de querer apagar o que não deu certo, o que não se concluiu. Talvez sejam esses rabiscos inacabados e mal-feitos que façam de mim o que sou. O que serei. O maior erro é atribuir bons acontecimentos a outros bons acontecimentos. É do engano que surge o perdão; Da briga, o abraço; Do choro, o ombro para se apoiar.
É um receio de me definir e arcar com todos os prós e contras. É um erro que me permito, pra provar que aceito o imperfeito.
E, como objeto de minha imperfeição, cá está esse blog, permitindo novos rascunhos para que eu possa, enfim, fazer um auto-retrato se não mais perto do que sou, mais perto do que quero ser.