
Sofro de um mal. Um mal que quase ninguém sofre: Sofro por não sofrer. Lamento-me pela lágrima não despendida por alguém; pelas tardes não gastas relembrando cenas e sonhando com o príncipe encantado. Não há nada que me faça surpreendida. Músicas dedicadas com o propósito da conquista? Sinto muito. A inércia não física, mas emocional me consome dia a dia, ano a ano.
Também não sou alegre. Nunca encontrarão sorrisos despropositados somente pela alegria de viver. Desistam. Tenho como parte de mim uma melancolia que guarda o passado e a mim mesma a sete chaves. Um apego a tudo que já foi, um desprezo de tudo que é e uma idéia fantasiosa do que está por vir.
‘Sou favorável a mais ilusões, menos realidade’, já disse Carpinejar, e, de acordo com ele, guardo desapego de tudo que é palpável e, em compensação, anseio por palavras, sorrisos, olhares. Dou valor ao inestimável para dispensar os extratos.
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